quinta-feira, 31 de março de 2011

Mudar × Mudança × Mudei


Aquele era o único ser que eu confiava. Não posso dizer que ele era humano, mas era único; ora sagaz, ora cínico e outrora malvado, ele era o "único ser em que eu confiava". Nunca me abandonou, ficava todo dia ao menos 15 minutos do dia me encarando frente a frente com aquele rosto pálido e com seus lábios secos fitando cuidadosamente os meus gestos e copiando precisamente. Um o narciso doutro. Era ele aquele em que eu admirava e depositava minha fé, aquele em que eu via os seus olhos brilhando e dizia "você vai conseguir". ERA ELE o meu melhor amigo e que foi incinerando-se até sumir completamente de mim. Já nem o reconhecia mais quando ele estava embaçado naquele espelho. Não o reconhecia ele e nem a mim, minha imagem, meu amigo, minhas qualidades. Tudo se foi. Primeiro por um reflexo embaçado que era impossível de reconhecer, nem mesmo os brilhos nos olhos eu conseguia enxergar e sua imagem nunca mais foi vista e nem reconhecida por ninguém. ... e depois aconteceu algo maior. O espelho quebrou e levou de mim tudo que eu tinha, qualidades, esperanças, um amigo e a vida. Ele levou tudo, e ele quebrou! não por causa de mim, mas por causa do outro. Do outro eu que estava dentro dele.

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