quarta-feira, 16 de março de 2011

Guerra × Amor × Alamedas


As balas estava ricocheteando por todos os lados, era difícil definir o inimigo, e muito menos os amigos, amigos de guerra eu quis dizer, por que meu amigos de verdade estavam lá comigo atrás daquele muro se protegendo das balas perdidas. Estávamos saindo de casa quando de repente chegamos ao portão da mesma e a luzes da cidade apagaram rapidamente e mais rápido ainda começou o tiroteio. Nem deu tempo para pensarmos em algo no momento e se jogamos atrás do muro. Ficamos horas e horas lá pensando no que fazer e enquanto isso as balas não paravam de ser atiradas ao nada, aliás ninguém sabia quem era o alvo e eu realmente não estava preocupado com isso pois minha familia estava no exterior e meus amigos estavam lá comigo, e ela também estava lá com nós, porém ainda éramos apenas amigos, aliás eu achava que ela estava lá com nós mas ela tinha sumido, sumido de uma maneira difícil de explicar. Isso me deixou atordoado e com o coração desesperado, pois o inimigo desconhecido tinha levado a garota que eu amava, isso não saia da minha cabeça, eu não conseguia levantar outra hipótese a não ser essa. Não demorou muito para se concretiza-la pois meio a tanto barulho que estava fazendo lá era possível ver uma voz roca e fraca pedindo ajuda. Ela era ela sendo levada pelo inimigo não sei por que e não sei pra que. No momento um turbilhão de pensamentos passou na minha cabeça, mas quando eu ouvi ela gritar por socorro mais uma vez eu não pensei duas vezes olhei para um amigo meu que estava ao meu lado, não deu para ver direito o rosto dele naquela escuridão, mas percebi que ele fez um sinal de positivo com a cabeça, e então eu me atirei meio a rua correndo para as alamedas da cidade de onde estava vindo a voz dela. A voz estava cada vez mais baixa e mais profunda... ela estava muito longe, mas não deixei de me intimidar por isso, e muito menos pelas balas que passavam zunindo minha cabeça. Comemorei a cada bala que passava por mim o quão eles eram ruim de mira, mas sabia que não podia criticar muitos eles pois estava tudo muito escuro e eu não enxergava um palmo a minha frente, eu apenas ia correndo sendo guiado pela doce voz dela que estava pedindo socorro. Fiquei torcendo para que ela não parasse de gritar... e enquanto eu corria na direção dela acabei tropeçando num meio fio o que causou um barulho fraco mas o suficiente auto para os atiradores perceberem minha posição e disparar vários tiros. Outra vez os tiros passaram zunindo meus ouvidos e eu numa manobra a lá Jackie Chan me levantei rapidamente e continuei correndo em direção ao fim daquela suposta alameda. Corri por uns 50 metros depois do tal fato e quando eu parei para pegar fôlego para o próximo pique eu notei que minha perna estava queimando, estava sendo corroída por dentro e minhas meias estavam encharcada. Encharcada de sangue por um tiro que eu tomara na perna e não tinha percebido. Estava doendo muito, e eu não sabia exatamente onde o tiro atingiu pois toda a perna estava queimando e encharcada de sangue, a unica coisa que eu podia sentir era a fraqueza e a deficiência da minha perna machucada. A unica coisa que me acalmou naquele momento foi a voz dela, pedindo novamente por socorro eu pude perceber que a voz dessa vez estava mais alta e não baixa como antes, isso era sinal de que eu estava próximo dela. Os tiros ainda não tinham parados e eu guiado pelos meus instintos consegui ir mancando até atrás de uma das arvores da alameda e então tirei um tempo para respirar e outro tempo para pensar em algo... desistir? nunca, pois lá estava a garota que eu mais amo e eu queria fazer algo por ela e não deixar ela ter esse fim, sinceramente não sei que fim ela teria, ainda não sabia quem era os inimigos, mas sabia que eles não titubeavam em atirar e então vomitei outro suspiro de medo, amarrei minha camisa a minha perna, estampando a ferida e tomei coragem na minha cara e sai correndo de lá de trás daquela arvore. Nesse movimento desesperador que eu fiz eu acabei levando um tiro no ombro esquerdo e acabei tropeçando novamente no meio fio ao voltar pra estrada e acabei caindo. Naquele momento tudo estava dando errado, ela estava longe de mim, e meus esforços estavam sendo em vão, eu queria fazer algo a mais por ela pois eu amava mais do que tudo. Dei meu milessimo suspiro naquela noite, juntei forças e me levantei meio aqueles tiros, fui tropeçando mais alguns passos a frente, a dor tinha tomado meu corpo e junto com ela veio a fraqueza, mas a determinação ainda estava lá, intacta. Eu já estava quase desmaiando, mas dava para ouvir nitidamente a voz dela agora, que devia estar a uns 50 metros a minha frente... quando de repente, vi tudo mais preto que o normal e cai sobre aquele asfalto gelado, na verdade quase cai pois quando eu estava caindo fui segurado pelos meus ombros, e então com os olhos semi-abertos naquela escuridão eu pude perceber quem era. Era um amigo meu que estava lá, para me ajudar a levar-me até ela. Ele passou meu braço pelo seu ombro para me apoiar e então com muita força ele foi me levando, eu apenas me apoiava com uma perna sobre o chão e quando eu tinha visto ele, minhas forças tinha acendido novamente as esperanças de eu encontra-la. Aqueles 50 metros foi os metros mais tensos e demorados da minha vida, mas que foram compensados quando eu a vi. Ela estava lá jogada no chão, paralisada tentando se rastejar. Não havia marcas de feridas e nem nada, mas ela estava com uma aparência horrível... aos poucos eu consegui chegar mais perto dela e com forças eu peguei ela no colo e apoio ela depois sobre as minhas pernas enquanto eu estava sentado. E então ela falou quase desmaiando...
- Te amo - enquanto ela terminava de dizer eu fui abraça-la... mas quando eu fiz isso, foi quando eu acordei.

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