terça-feira, 15 de março de 2011

Bahia × Bahiano × Salvador


Parti-me do sul para os quatro cantos do Brasil. Não levei nada comigo a não ser um coração despedaçado de sonhos e solitário do amor que me deixou para trás, levei também o meu melhor objeto, ou melhor, um violão feito delicadamente por mim mesmo e que fielmente me acompanhava e me acalmava quando eu me sentia triste. Sem cerimônias parti-me ao som do vento em esperança de buscar um novo objetivo para viver. Sem bússolas, sem mapas, sem destino, cheguei-me a uma praia baiana. Lembro-me muito bem daquele local, tinha um mar limpo, com um clima agradável e pessoas bonitas, principalmente as baianinhas que lá estavam. Caminhei sobre aquela macia areia daquela praia em direção ao vazio, ao vazio do fim da praia. Naquela hora queria manter distância de todos pois eu não estava me sentindo bem, era como se eu não tivesse motivo para viver, era como se eu não existice, eu era como nada ali, sem razões, sem rumo, sem vida. Então, sem muito o que fazer eu peguei o violão e comecei a tocar para melhorar meu auto-estima. A música realmente era a unica coisa que me fazia bem. Notei que muitas garotas que estavam distantes começaram a me olhar com outros olhos, olhos com segundas intenções. Elas eram bonitas até, pena nenhuma ter atraído meu amor, que era difícil de ser conquistado. Mas aquele dia foi diferente para mim... de longe eu via um típico baiano com um coco-da-baia na mão. Ele vinha se cambaleando com muitas passadas em falso e passadas tortas, mas ele não podia estar bêbado com o coco. Fechei os olhos por uns minutos e fiquei apenas sentindo as notas do violão entrando na minha cabeça e quando eu relaxei eu abri lentamente os meus olhos e para minha surpresa, o tal baiano estava na minha frente. Ele ficou me fitando com um olhar de curiosidade por um tempo, até que ele teve coragem de me dar os cumprimentos. Logo pelo sotaque eu vi que era um baiano típico mesmo, o que acabou confirmado a minha hipótese anterior, porém ele não estava bêbado como eu disse. Ele ficou mais um tempo lá sentado sem dizer nada, apenas me observando tocar violão e vendo as garotas que se aproximavam. A cada intervalo de cada música que eu tocava ele batia palma, até que pela 6 música eu fiquei com ar de curiosidade e decidi perguntar o que ele estava fazendo ali, e ele olhou fixamente para mim e disse:
- Estou te observando, quero ser como você, moreno de físico forte, culto, músico e que faz sucesso com as garotas - Enquanto ele falava fiquei admirando a determinação que ele tinha colocado nas palavras ao pronuncia-las e com um sorriso tímido em meu rosto eu dei as últimas palavras antes de eu ir embora.
- Queria ser como você... - Ele olhou assustado e ergueu a sobrancelha como sinal de curiosidade ao que eu tinha falado, era possível notar que ele estava pensativo, talvez até mesmo pensando nas qualidades que ele tinha e por que eu queria ser como ele... e então eu repeti o inicio da frase, e dessa vez eu terminei. 
- Queria ser como você... um sonhador!

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